20 julho, 2014

{Resenha #31} Jane Eyre - Charlotte Brontë


Olá ♥ ♥ ♥

Senta que lá vem história.....
Bom, acho que todo mundo que escreve, sempre para, reflete, faz um roteiro mental do que quer colocar no papel, só então depois senta o bumbum na cadeira e começa a escrever. Ah, esqueci da pesquisa também.....Dependendo do que a gente vai falar sempre tem que dar uma pesquisada no assunto. Se o assunto me é conhecido eu quero conhecer mais, se não é, quero conhecer um pouco para não falar besteira para o leitor. Com a literatura é assim!

Sempre gostei muito de ler, de tudo um pouco. Lia tudo que me caía nas mãos. Mas sempre tem aquela época da vida que temos que ler os clássicos. Alguns são obrigatórios, claro, seja literatura nacional ou internacional. Outros, se a gente não leu, tem que pelo menos saber alguma coisa da história, seja o enredo do livro ou o que levou determinado autor a escrevê-lo. Isso sempre me fascinou mais do que as histórias em si. As vezes lendo um livro podemos aprender mais do período histórico-cultural, social e político do que estudando em livros didáticos. Tudo isso porque o autor viveu aquele momento e transcendeu para a sua obra. #filosofei

Acho que todo amante de leitura já se deparou com os romances clássicos da Literatura Inglesa do século XIX, que foi tão fértil que esse tipo de leitura é apreciado, estudado e venerado até hoje.
Eu não sou uma profunda conhecedora desse período, só sei o pouco que estudei em todas a minhas aulas de português/literatura/redação e expressão - que diga-se de passagem eu amava! - Conheço um pouquinho apenas da vida de Jane Austen, Emily e Charlotte Bontë, algumas representantes do período (celebs, por assim dizer). E como tal, li apenas uma obra de cada uma delas. De Orgulho e Preconceito e Persuasão eu já falei aqui no blog. O Morro dos ventos uivantes, da Emily eu li há uma vida em inglês na época que eu fazia curso de literatura inglesa como extra no curso de inglês (tempo bom). Pretendo reler em breve. Da Charlotte, terminei de ler recentemente Jane Eyre e é dele que essas humildes impressões tratam.



A história

Jane Eyre é uma menina órfã que vive com sua tia, a Sra. Reed, e seus primos, que sempre a maltratam. Até que, cansada do convívio forçado com a sobrinha de seu falecido esposo, a mulher envia Jane a um colégio para moças, onde ela cresce e se torna professora. Com o tempo, cresce nela a vontade de expandir seus horizontes. Ela põe um anúncio no jornal em busca de trabalho como preceptora. O anúncio é respondido pela senhora Fairfax, e Jane parte do colégio para trabalhar em Thornfield Hall. Lá, ela conhece seu patrão, o Sr. Rochester, um homem brusco e sombrio, por quem se apaixona e é correspondida. Mas um grande segredo do passado se interpõe entre eles.

Bom, parece um romance padrão, a menina é órfã, é maltrada, depois de muitas privações, leva uma vida quase feliz e se torna forte e independente. Depois encontra o princípe encantado e casa-se com ele, vivendo felizes para sempre. Mas essa história não se desenrola exatamente assim! 

Minhas impressões

Achei o começo do livro muito duro, com o tempo que Jane vive com sua tia e seus primos e depois a parte em que ela vive no colégio e começa a ter aí sua personalidade modificada. Muito do que Jane é no futuro é fruto do que ela "aprende" com o tempo que passou no colégio. E sobretudo com a convivência com sua melhor amiga Helen e sua professora Srta. Temple. 

- Sou muito infeliz, porque eu não tenho pai, nem mãe, nem irmãos ou irmãs.

- Eu não sou falsa, se fosse diria que gosto da senhora. Mas eu não gosto. 

Apesar de a edição que eu li não ser dividida em partes, eu o dividi assim, pois achei que facilita o entendimento.
Num segundo momento, Jane dá um salto de 8 anos em sua narrativa e já aparece não mais como aluna, mas como professora de seu antigo colégio. Percebendo que nunca fizera nada diferente em sua vida, ela resolve que é hora de vôos mais altos e então resolve colocar um anúncio no jornal para ser preceptora. Quando é respondida, ela parte em direção a Mansão Thornfield Hall. Lá ela conhece a bondosa Sra. Fairfax, sua aluna Adele e alguns outros empregados da mansão. E parece que terá uma vida tranquila. 
Só parece....
Num encontro inesperado, Jane conhece seu novo patrão, o Sr. Rochester, um homem singular e inconstante, como ela mesma define a certa altura. O Sr. Rochester nos parece um grosso, um mandão, ríspido com tudo e todos. Uma pessoa totalmente solitária e sombria. Inteligente e esnobe. Forte e viril. Mas no fundo, triste.  

Cenas do filme que depois acabei vendo

Eles começam a passar um bocado de tempo juntos, sempre conversando, já que o Sr. Rochester requisita constantemente a sua companhia, chegando a considerar "uma igual". Isso para mim chega a soar como a construção do amor que vão vir a sentir um pelo outro. Se o amor foi a primeira vista da parte dele, eu não sei, mas tenho as minhas sérias dúvidas (que sim!). Os diálogos travados são maravilhosos, espirituosos, sarcásticos. E as vezes carregados de um fervor romântico e sensual (claro, estilo século XIX) que me deixaram tonta...

- Você parece muito surpresa, Srta. Eyre. E embora tampouco seja atraente, assim como eu não sou bonito, saiba que esse ar de dúvida lhe cai bem. 

- De quando em quando, vislumbro um curioso tipo de pássaro por entre as grades da gaiola: um prisioneiro resoluto, inquieto, cheio de vida. Se fosse livre, voaria às alturas das nuvens.  

Uma coisa que a autora não nos deixa esquecer a todo momento é que ambos os personagens não são bonitos. Ao contrário, em vários momentos ela nos fala que o Sr. Rochester é bastante feio. Já Jane, apesar de ter olhos verdes, se define como obscura, baixinha (eu gosto de ser baixinha...humpf) e feiosa. Não sei dizer se eles são tão feios assim (não consigo imaginar feiura neles), ou se a autora apenas quis dizer que eles não tinham tanta beleza. Eram pessoas comuns. Na verdade, a beleza está nos olhos de quem contempla. E ela não precisava ficar a todo momento chamando o Sr. Rochester de feio, ora bolas!

- Ele me fez amá-lo sem ao menos me olhar. 

- Está tão deprimida que mais algumas palavras e as lágrimas aflorarão a seus olhos. Na verdade, já estão aí, flutuando, cintilando. Uma pérola se despreendeu do cílio e cai no tapete. Se tivesse tempo, e se não estivesse morto de medo de que algum criado passasse e visse, eu saberia o que tudo isso significa. 

A história se desenrola até que os mistérios que rondam a mansão de Thornfield começam a dificultar a felicidade do casal. Jane tem pressentimentos ruins, sonhos terríveis que condizem com os fatos estranhos daquela casa. Apesar do amor incondicional por seu patrão e o dele por ela, fervoroso, apaixonado e desesperado, o mistério/segredo os afasta e um terceiro momento se descortina na vida da protagonista.



Não falo mais, se não estrago a surpresa. Não dá para contar mais - odeio spoiler!

O que posso dizer é que apesar de ter demorado muito para terminar o livro (geralmente levo apenas 1 semana) é que fiquei extasiada. E olha que só usei essa palavra para Orgulho e Preconceito. A história me prendeu de uma forma tal, tanto pelos personagens que são fortíssimos, quanto pelo romance em si e pela trajetória de vida da protagonista. Seus anseios, suas lutas, sua vontade de conhecer além do que era pré-determinado para as mulheres de seu tempo. Fiquei apaixonada pela escrita de Charlotte Brontë. Tanto quanto fiquei apaixonada pelo Sr. Rochester, apesar de tudo...srsrsrs

Leiam, leiam, leiam....é só o conselho que eu dou. Vale a pena conhecer essa história incrível. Minha edição é da Best Bolso, de janeiro de 2011. Um livro pequeno, estilo pocket, com uma das capas mais delicadas que já vi.

Bjs


Formada em Farmácia Hospitalar. Apaixonada por ler e escrever desde sempre. Criou o Blog em 2013 para compartilhar seu amor pelos livros, séries e filmes.

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7 comentários:

  1. DA SÉRIE: Livros que preciso ler nessa vida. Gosto da Jane Austen, e esse livro foi citado como o favorito de uma personagem de outro livro que li ano passado, acho que era "Fale!", agora não tenho certeza. Mas era massa. :)

    Bjs

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    1. Oi Raquel, eu adoro quando citam algum livro dentro de alguma história, sempre fico querendo ler também. Se vc ler esse não vai se arrepender. É excelente!

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  2. Oi, Renata.
    Adorei seu ponto de vista sobre a obra.
    Não conhecia o livro, mas já tinha visto as imagens publicadas nesse post do filme no tumblr.
    Os quotes que você colocou no post e sua opinião me fez querer ler esse livro para ontem. Até mais. http://contodeumlivro.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oi Renato, tudo bem?
      Fiquei muito encantada mesmo com esse livro, até porque nunca tinha lido nada da autora, apenas da irmã Emily. Vale muito a pena ser lido, uma ótima história recheada de bons personagens.
      Recomendo!

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  3. Depois de 'Orgulho e Preconceito' quero conhecer TUDO da Jane Austen! *-----------*
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  4. Oi Re, tudo bem?

    Concordo completamente com você. Esse livro é um dos meus preferidos da vida, o li mais rápido do que esperava e me encantei com tanto drama e amor. Também achei a primeira parte dura, me emocionei demais com a pequena Jane. E sobre a beleza ou a falta dela, adorei isso! São personagens comuns que se encontram, e isso é tão bom.
    E o romance gente? PERFEITO e acontece no momento certo.

    Beijos,

    Pah - Livros & Fuxicos

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    Respostas
    1. Oi Pah, concordo com vc em todos os pontos. Não dá pra falar muito: é simplesmente PERFEITO! Eu amei mais do que eu esperava..srs
      bjs

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