26 abril, 2015

{Devaneio} A mulher dos romances históricos e a atual


Oi, gente!

Minha cabeça oca estava fervilhando aqui, então resolvi colocar coisas no papel para esvaziá-la. Se eu tivesse a penseira do Prof. Dumbledore seria bem mais fácil....

É inegável que eu adoro ler romances de época. Apesar de gostar de outros gêneros tenho lido muitos romances ultimamente, as vezes um atrás do outro (não cansa não, Renata? - Não).....

Gosto muito dos romances históricos, apesar sempre ter tido preconceito com as capas escandalosas dos "romances de banca"...da época da minha adolescência - ò como sou véinha.....

Eu curto essas histórias que se passam em séculos passados, geralmente XVIII ou XIX. Gosto da reconstituição de época, das mocinhas românticas, dos homens galantes, de chapéu, colete e cartola. Da época que os apaixonados se correspondiam por cartas e não pelo zap zap....

Todos os livros que tenho lido as mocinhas são românticas, mas de inocentes não tem nada, ao contrário são bem independentes. As vezes independentes até demais...ehehehehehe... Os últimos dois romances que li traziam Beatrix Hathaway e Eloise Bridgerton, duas heroínas fortes e decididas, na altura de sua juventude. Não sei se condiz com a realidade da época, mas gosto de ler histórias assim. E lendo esses livros fico refletindo sobre o papel da mulher nesses séculos passados. 

Dá vontade de sair correndo!

A mulher não era ninguém, não tinha direito a nada. Vejamos o exemplo em Orgulho e preconceito, da amada Jane Austen. As irmãs Bennett serão colocadas na rua, caso seu pai venha a falecer, pois a propriedade iria para o odioso primo Sr. Collins. Por isso a Sra. Bennett fica naquele desespero de querer casar as filhas a todo custo....É engraçado no filme, mas se formos parar para pensar é meio desesperador....

Ainda em Orgulho e preconceito, a mulher que não se casava cedo era logo taxada de solteirona e era considerada um fardo para a família. Charlotte, a melhora amiga de Lizzie é um exemplo claro disso. Já é considerada velha e sem perspectivas. Tanto que Lizzie a julga por aceitar o pedido de casamento do Sr. Collins.  

Em duas histórias dos amados Bridgertons (Julia Quinn é #Diva) acontece o mesmo. Eloise e Penélope são consideradas solteironas, ambas tem 28 anos. Elas já não tem mais perspectivas de arranjar um marido, que teoricamente irão cortejar moças mais jovens nos tais bailes das temporadas de Londres. Graças aos céus as duas encontraram o amor da forma mais verdadeira possível....

Quando li As memórias perdidas de Jane Austen fiquei chocada. Após a morte do pai, ela, Cassandra e a mãe ficaram a depender de parentes!  

A mulher pertencia ao marido, completamente, incluindo seus bens. E não podia fazer nada, absolutamente nada sem a permissão deste. É claro que nem todos são como Mr. Darcy.... ou como os irmãos Bridgertons.... ou como Edgar (de Lado a Lado, que comprou edições novas dos livros da esposa, pois a mãe dela os havia doado antes do casamento. "Não acho justo ter o marido e não ter os livros" - ele disse #morri de amor).

Mas e os maridos que não eram desse jeito romanceados nas histórias? 
Meu Deus, a vida deveria ser um verdadeiro suplício.... Já começa que os pretendentes eram escolhidos pela posição social e não pela escolha de ambos...

Em Jane Eyre (Charlotte Bronte) vemos em como ela tem sonhos e anseios sobre querer conhecer o mundo e tudo é tão e somente para os homens que ela se questiona algumas vezes. 

Até as roupas refletem a prisão que era da vida feminina. Espartilhos, anáguas, meias, barbatanas, até o ato de vestir dizia todo o tempo que a mulher não era capaz sozinha. Precisava sempre ter alguém ajudando, amparando....Irônico, não? A pessoa não podia nem se vestir sozinha.....

A revolução feminina só veio algum tempo depois, já no século XX. O que ganhamos com isso? O direito de ir e vir sem um marido ou uma acompanhante, o direito ao voto, de pensar livremente e quase o direito de fazer o que quiser com com o próprio corpo. Mas a sociedade ainda é tão hipócrita (só finge que evoluiu mentalmente) que a mulher ainda é para casar, ter filhos, tomar conta da família. E junto de tudo isso ainda tem que trabalhar fora, dar conta da casa e do marido. 
Isso é algum tipo de igualdade de gênero? 

Se no passado soava estranho a mulher ficar à disposição, hoje em dia ela tem que dar conta de mil e uma tarefas e ainda estar linda e impecável, pois se não estiver a sociedade vai acusá-la de desleixada... 

Passado tanto tempo desde a gaiola dourada até a revolução pelos direitos iguais, ainda não temos isso e sinceramente? Acho que está bem longe de termos.... Se fosse assim, porque carros exclusivos nos trens e metrôs? Porque leis Maria da Penha? Porque a sociedade ainda enxerga a mulher como um simples objeto decorativo e de uso quando bem entender. Essa é a verdade nua e crua. Somos tão "frágeis" que precisamos de proteção....(ainda).

Sei que o "mês da mulher" já passou e nem sou feminista nem nada, e nem quero levantar nenhuma bandeira, longe de mim, tá? Apenas tenho refletido depois de ler algumas histórias que se passam em outros séculos e outros costumes. E pior, estou tendo aula numa turma de Serviço Social onde as meninas são tão engajadas, que nossa....

Me lembro do Gaston falando para a Bela (no desenho A Bela e a Fera) que ela tem que tirar a cabeça dos livros, pois logo ela vai começar a ter ideias e a pensar......Amo essa parte! 

As vezes só penso que talvez a "proteção" de outrora era para proteger a pobre mulher do que viria a seguir? #complexo

Beijos
me desculpem pelo texto meio devaneio, mas esvaziar a mente de vez em quando é bom....

Formada em Farmácia Hospitalar. Apaixonada por ler e escrever desde sempre. Criou o Blog em 2013 para compartilhar seu amor pelos livros, séries e filmes.

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7 comentários:

  1. Oi Renata!
    Adoro textos devaneios, gosto bastante de fazer essas análises com livros que eu leio.
    Como você, eu e minha mãe somos apaixonadas por romances históricos. (Julia Quinn é nossa diva! HAHAHA)
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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    1. Oi Alê!
      Eu adoro romances históricos e histórias que se passam em outros tempos no geral. Que bom que sua mãe também ame ler, assim dá para discutir bastante sobre os livros amados...e o melhor, trocar os livros ahahaha
      Julia Quinn é maravilhosa, adoro os livros dela, quero ler todos algum dia!
      Bjs ♥

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  2. Renata eu simplesmente amei seu texto. Confesso que só senti falta de algumas imagens (sou muito visual e sempre sinto que as imagens ajudam a fixar a associação do conteúdo na mente do leitor, além de chamar a atenção). Mas enfim essa temática é muito interessante também penso muito nela e desde que passei a devorar todos os romances de época que tenho acesso e pq não dizer os romances hots pude comparar o papel das mulheres nessas histórias e pensar na realidade.

    Penso que em todas as épocas existirão mulheres e homens de várias tipos, dos mais banais aos mais destacados por suas atitudes boas ou más. Acredito que faz parte do ser humano e devido a essas diferenças podemos evoluir e nos inspirar nos engajados.

    Não sei se fui clara, mas com certeza precisamos sempre lembrar de todas as conquistas que as mulheres já conseguiram e honrar todas elas, mas a cima de tudo precisamos ser feliz sem nos cobrar tanto.
    Hoje sinto que se não formos bem sucedidas profissionalmente - academicamente é como se a sociedade vivesse nos apontando como alguém que não construiu nada.
    Então é isso sempre seremos cobradas e em casa época só muda o tipo de cobrança. Precisamos ser fortes e lembrar que aquilo que não nos destroe nos fortalece.

    Parabéns pelo ótimo texto. Beijos

    Leituras, vida e paixões!!!

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    1. Oi Aline....concordo com vc, o que não destrói nos fortalece...realmente foram muitas conquistas ao longo de anos e anos, como um trabalho de formiguinha mesmo srsrsrs, mas penso que ainda virão muitas lutas pela frente. Acredito que hoje a mulher já não se cobra tanto e entende ou pelo menos tenta entender seu papel no mundo, mas a sociedade ainda vive na idade da pedra e isso ainda vai levar tempo para mudar, mas que bom que já está mudando. Bjs e obrigada, que bom que gostou do texto, de vez em quando eu surto kkkkk

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  3. "As vezes só penso que talvez a 'proteção' de outrora era para proteger a pobre mulher do que viria a seguir?"

    Como fã de Jane Austen, penso bastante nisso! Curti muito seu devaneio, principalmente pq me identifiquei com seus questionamentos. Uma vez comentei com uma amiga que é negra que eu gostaria de viver na Inglaterra do século IX e ela me disse que se tivesse nascido naquela época, certamente seria escrava. Isso abriu meus olhos para as conquistas das mulheres do nosso século. Fico feliz em viver no tempo em que vivo, mas não consigo deixar de admirar a moral e os bons costumes dos romances de época.

    Parabéns pelo texto. Beijos!
    PS: já começou a colorir seu Jardim Encantado?

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    1. Verdade isso que você falou...sempre fico pensando em outras vertentes quando falo: nossa, nasci no século errado. Imagina e mulher não poder ir a escola? Ter um marido escolhido por outra pessoa? Essa cena da novela me marcou muito pois fiquei refletinho...a mãe da moça doou os livros dela, pois agora casada ela não precisaria deles....imagina isso?
      Imagina não ter direito a livre escolha? Livre pensamento kkkkkkk, é de matar!

      Ainda não comecei menina, mas já separei a caixa de lápis de cor kkkkkk
      Bjs

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  4. Oi Renata!
    Eu também adoro ler romances históricos, mas definitivamente não nasci pra viver naquela época. Imagina que o seu único objetivo de vida é encontrar marido? Afff!! Prefiro ser independente, ter meu próprio dinheiro, sem ninguém mandando em mim.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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