08 maio, 2015

{Resenha #66} Cidade Partida - Zuenir Ventura


Olá, pessoal!

O bom de ter aula de Português é que quando a professora é doutorada em Letras você sabe que ela sempre indicará bons livros. 
Estou tendo aula de Leitura e Produção de Textos às sextas-feiras e é a aula mais aguardada da semana. A professora é dinâmica, engraçada e faz de tudo para não deixar ninguém dormir das 18:30h às 22:00h de uma sexta-feira (quando você já estaá morta desde quarta e só quer descansar). Eu já gosto muito de português e literatura, então não tenho muita dificuldade em acompanhar as aulas.

Ela indicou Cidade Partida, do jornalista Zuenir Ventura. O livro é de 1994 e foi publicado pela Companhia das Letras. 


Além de melhorar minha "bagagem literária" a leitura me rendeu algumas horinhas de atividades complementares, obrigatórias na maioria das graduações. Essa é a primeira obra do gênero que leio, estilo jornalístico. Gostei da leitura, apesar de ter achado meio lenta em algumas partes. 

O livro é uma espécie de diário de bordo de uma guerra diferente daquelas a que estamos acostumados a ver nos livros de história. É uma guerra contra a violência urbana, a favor da cidadania e da esperança.

O ponto de partida para a publicação do livro foi a chacina de Vigário Geral, ocorrida mais ou menos um ano antes. Nela, 21 pessoas foram mortas dentro de suas próprias casas. Durante 10 meses Zuenir Ventura frequentou a favela de Vigário Geral, de modo a coletar informações para a confecção do livro. Segundo ele, lá é um lugar "onde a vida não vale nada e a violência é a linguagem do cotidiano". Atual, não? Infelizmente.....

Zuenir divide sua narrativa em  duas partes. A idade da inocência e o tempo dos bárbaros. Na parte 1, o jornalista mostra o Rio dos anos 50, os anos dourados, que segundo ele já acumulava conflitos que explodiriam nas décadas seguintes. Já nessa época havia 2 cidades, ou uma cidade partida.  Porém era tudo mais "velado". Havia os ricos e os pobres, mas um não se "metia" no espaço do outro. Havias os bandidos que dava alguma manchete de jornal e algumas autoridades policiais que tentavam cuidar da cidade. 

Desde a época de Pereira Passos e sua demolição dos cortiços, a cidade optava pela segragação. A cidade civilizou-se e expulsou para os morros seus cidadãos de segunda classe. Já nessa época a cidade se partia, se dividia....

Segundo o jornalista juntar de novo essas duas cidades seria tarefa para o próximo século. Informo que já estamos nele e a situação não dá mostras de que vai melhorar....


Enquanto dos morros só se ouviam os sons do samba parecia não haver problemas, ams agora se ouvem tiros.   



A exclusão tornou-se um problema social e hoje essa bolade neve continua a crescer, sem chances de derretimento. 

Na parte 2 do livro, Zuenir Ventura nos conta um pouco do cotidiano da favela e sua tentativa de retorno à vida normal depois do massacre. Ele transita por moradores, se enturma e a partir dos olhos deles enxerga um outro lado da sociedade. Aquele lado que vive á margem da própria sociedade. 
Na verdade, o livro nos conta um pouco da necessidade que a sociedade civil tinha em combatar a violência crescente. 1993 foi um ano marco segundo o autor, de muita agressividade. Assaltos, sequestros arrastões, chacinas....Novas manisfestações da chamada "cultura do medo".

Como lidar com isso?
Como nadar e não morrer na praia?

O Viva Rio nasceu nesse cenário, uma forme se seres mais influentes da sociedade darem um "basta" na onde crescente de violência gratuita. 

Como eu disse foi o primeiro livro que li do autor. Gostei, apesar da lentidão da narrativa em algumas partes. Mas nada que me desanimasse de ler. Como ele mesmo diz, é um relato de um correspondente de guerra. 

Eu comprei o meu exemplar na Estante Virtual, que tem uns sebos on line com precinhos super em conta. Logo, isso me facilitou de marcar o livro todo com marca-texto, coisa que raramente faço....Mas como era pra fins didáticos não me incomodei. O livro está meio acabadinho, como podem ver...
  



Nada que pudesse atrapalhar minha leitura. O próximo que lerei dele será 1968, o ano que não terminou. Dizem as más línguas que é um pouco mais divertido!

Bjs e me contem o que acharam!

Formada em Farmácia Hospitalar. Apaixonada por ler e escrever desde sempre. Criou o Blog em 2013 para compartilhar seu amor pelos livros, séries e filmes.

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1 comentários:

  1. Sou apaixonada por estes livros acabadinhos assim, impossível não querer lê-los, fico sempre imaginando a bagagem que carregam. Pude perceber que tem tudo a ver com a tua postagem sobre a globalização das favelas e, fiquei com vontade de conhecer a fundo, quem sabe não tenha aqui na biblioteca da minha cidade....

    Beijo, Vanessa Meiser
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

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