02 junho, 2015

{Especial} Mês dos Namorados ♥ Dia 2 - Apenas num olhar





Vamos começar nosso especial de uma forma "mais que especial". 

Ah o amor....."o amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente ♪♪♪♪"

Hoje contamos com a presença de uma escritora que com certeza sabe muito bem o que é esse sentimento. Afinal seu livro chegou ao coração de muitas pessoas, principalmente mulheres que encontraram em À Espera de um Adeus, uma grande lição real para suas vidas.

Afinal não basta apenas acreditar no amor, achar que o príncipe encantado irá chegar em um cavalo branco e pronto, achar que o final feliz dos contos de fadas está escrito nas estrelas. Quem sabe esteja, não é? Sou uma eterna romântica.....

O amor precisa ser cuidado, "tratado", como se fosse uma flor, que precisa de sol, de água, de alimento, se esquecemos a coitadinha ali do lado, literalmente jogada de canto, ela com certeza irá morrer. E assim é o amor, que mais que tudo para sobreviver precisa de muito carinho, muita compreensão e muito, mas muito diálogo mesmo, para que o amor possa nascer, crescer, ser cultivado em nossos corações e lá se manter firme e forte.

E essa lição aprendemos lindamente com Samantha e Douglas, personagens de Á Espera de um Adeus, escrito pela querida Jorgeana Jorge. 

E hoje em comemoração a esse mês lindo em que todos ficam ainda mais apaixonados, Jorgeana presenteou-nos com um lindo e exclusivo conto inédito para marcar essa data.

Vamos conferir?


Apenas num olhar


Essa manhã uma das minhas filhas fez uma pergunta que me pegou bem desprevenida.
- Mamãe, você acredita em contos de fadas?
Associei o teor daquela pergunta ao fato do Dia dos Namorados estar se aproximando e Caroline era uma jovenzinha muito romântica. Não muito diferente da mãe, na verdade. Parei por uns minutos o que estava fazendo e me pus a analisar a questão. Sem perceber fui arremetida para uma época bem distante e muito especial.
 “Assim que me vi fora do salão de dança, a noite me brindou com uma brisa agradável. Fechei os olhos e levantei a cabeça para receber de bom grado o refrigério mais que necessário depois de tanto suor e energia desprendidos na pista de dança. Adoro dançar. Alguns longos fios castanhos soltos eram arremessados sobre o meu rosto em chamas e se grudavam na pele porosa.
Galanteios que eu não dei atenção se perderam pelo caminho que fiz até uma das muitas barracas de bebida que disputavam a clientela, acirradamente. Optei por algo leve e refrescante. Bebidas alcoólicas não faziam meu estilo. Não precisava desse tipo de “combustível” para poder me divertir. Música e um bom par de dança eram o meu melhor estimulante.
Tão logo senti o copo na minha mão, sorvi a bebida com gosto. O líquido gelado e aromático ajudou a arrefecer aos poucos a ebulição que eu estava por dentro. O leve balançar dos meus quadris denunciou que eu continuava ligada na batida que ecoava frenética para o pavilhão externo onde eu escolhi me refugiar um pouco para reabastecer as baterias. Só um pouco de sossego – era o que repetia mentalmente ainda embalada pelo som e louca para voltar à agitação.
As festas em minha cidade eram sempre concorridas. Só que esta fora acima do normal. Parecia que toda a redondeza havia resolvido vir conferir a banda do momento. Muitos rostos desconhecidos despontavam em toda parte. Meu olhar que começou despretensioso parecia que seguiria seu caminho e se perderia em meio à multidão de jovens espalhados pelo gramado que circundava o clube. Mas ele não seguiu a rota, nem se perdeu;  travou.
Esse lapso de tempo não significaria nada em outras situações. Por algum motivo, desta vez, foi diferente. Apenas num olhar, caí numa espécie de vácuo. Nada parecido havia ocorrido comigo antes.
Esses segundos foram o bastante para deixar registrada a imagem de um rapaz encostado no capô de um carro esportivo jogando conversa fora com outros pares. Todos pareciam que era parte do elenco de algum filme. Todos lindos! Mas nenhum deles conseguiu fazer meu coração disparar como quando aconteceu quando meus olhos repousaram sobre o rosto daquele moreno sedutor.
Simplesmente não consegui parar de olhar para ele. O efeito daquele sorriso meio torto foi o mesmo que o de uma fagulha sendo acessa em meio a um celeiro abarrotado de feno. Despertou uma chama crescente de interesse em querer saber mais sobre quem seria ele. Voltei-me à procura de minha amiga na tentativa de colher informações valiosas a respeito do galã de blusa azul, mas a maluquinha já tinha desaparecido.
Fui surpreendida com uma sequência de perguntas que começaram a se formar em minha mente em polvorosa. Como seria seu belo rosto com um sorriso completo? Ou qual o timbre da voz que saía por entre aqueles lábios finos? Qual seria a sensação de ser embalada por aqueles braços vigorosos? Minha pele começou a se aquecer, novamente. Fiz o pedido de mais um copo de batida de morango com hortelã. Solicitei que reforçassem bem no gelo. O diligente garçom me atendeu prontamente. Só que eu sabia que seria inútil usar desse artifício. Nem todo o gelo do mundo refrescaria a labareda que começava a arder dentro de mim, especificamente, no meu coração.
Como que atraído pela minha secreta especulação, ele volveu a cabeça em minha direção; nossos olhares se cruzaram e se conectaram um no outro. Foram apenas meros segundos. Intensos, perturbadores, curiosos.  Disso me lembro bem. Como era lindo ver aqueles olhos cor de mel brilharem como o sol em minha direção.
Minhas pernas vacilaram quando ele piscou charmoso. Era mesmo para mim tudo aquilo? – pensei nervosa. Procurei meu reflexo na tentativa de avaliar minha aparência àquela altura da madrugada. Oh, céus! Meu rosto estava da cor de jambo, meus olhos brilhavam como duas turmalinas verdes e meu cabelo... melhor deixar para lá. Fiquei toda atrapalhada tentando melhorar o estrago.
Olhei para os lados com o máximo de descrição que consegui. Não queria fazer papel de boba na frente do cara mais fofo que meus pobres olhos mortais já tinham contemplado. Ele pareceu achar aquilo engraçado, pois quando nosso olhar se encontrou outra vez, o sorriso que eu tanto queria ver estava lá. Tive a impressão que eu começava a me desintegrar aos poucos. Aquele sorriso era muito mais bonito do que eu poderia ter imaginado. Ele me fitou certeiro e começou a vir em minha direção. Seus passos firmes demonstravam uma segurança que eu estava longe de sentir. O medo me envolveu.
Pensei em sair correndo. O que seria ridículo, eu sei, eu sei! Mas foi só um pensamento estúpido. Ainda bem que minhas pernas não me obedeceram. Teria perdido o maior presente da minha vida.
Sabe aquele momento em que a TV sai do ar e apenas chuviscos preenchem a tela? Foi exatamente assim que aconteceu com meu cérebro quando ele tomou minha mão na dele e se apresentou. Até meu nome eu esqueci, acredita? Pois foi. Balbuciei alguma coisa que pareceu ser o suficiente para ele. Seu sorriso lindo continuava lá me desorientando.
Quando no meio da conversa ele me convidou para dançar, só consegui entender o pedido pelo gesto que ele fez com a mão. O único som que a idiota aqui conseguia distinguir era o do meu coração batendo ensandecido no meu ouvido. Parecia que o coitado tinha sofrido um choque e fora arremetido para lá. Era melhor eu resolver esse probleminha técnico logo. Não queria que aquela noite terminasse e a voz dele não estivesse devidamente registrada.
O sorriso tímido que se formou em meus lábios foi o sim que ele esperava. A pressão em minha mão aumentou e em minha garganta, também. Respirei fundo e dei o primeiro passo em direção a ele. O primeiro de muitos.
A nítida sensação de flutuar me perseguiu dali por diante. Uma, duas, três músicas; àquela altura já havia perdido a conta de quantas embalaram aquela noite mágica ao lado dele. Nós formávamos um par perfeito. Senti-me a própria Jennifer Grey de Dirty Dancing. Outros casais arranhavam coreografias mais elaboradas, mas ninguém que nos superasse.
O vocalista de alguma forma captou as mensagens que minha mente lhe enviava a cada segundo implorando por uma balada romântica. Pelo menos umazinha. E nossa! Ele acertou na mosca. Meu coração disparou e minhas pernas voltaram a amolecer feito geléia. Percebi que ele também ansiava por algo assim e aquilo me deixou estupidamente feliz. Não conseguia mais parar de sorrir. E isso o encantou demais.
Em um piscar de olhos, ele estava bem juntinho a mim de um jeito diferente. O perfume que emanava do corpo dele me invadiu e fechei os olhos. De tão bom, aquele cheiro me embriagou.
O calor da palma de nossas mãos foi se fundindo aos poucos e senti nossos dedos se entrelaçarem. Parecia que nunca mais se desgrudariam. Meu corpo foi sendo conduzido em câmera lenta para dentro de um mundo totalmente desconhecido. Sem pressa e respeitando o compasso da música fomos nos moldando um ao outro. De repente, tive a impressão que apenas nós estávamos ali. Tudo ao redor perdeu o foco e a importância.
O relógio de alguma forma retrocedeu e pareceu que nos conhecíamos desde sempre. Eu não conseguia entender as contas que meu coração fazia. Como tão pouco tempo fora suficiente para tamanha conexão? E como a eternidade parecia não ser suficiente para tê-lo ao meu lado? Nunca fui muito boa mesmo em Matemática. Mas de uma coisa tinha certeza, no final das contas, eu e ele, formávamos uma equação perfeita.
A única coisa que me importava era nunca mais sair daquele abraço. Era não ser privada daquele cheiro ou daquela voz que sussurrada bem próxima ao meu ouvido fazia minha pele arrepiar. Pela primeira vez na vida ansiei fervorosamente que uma noite não chegasse ao fim, pois eu temia o possível “The end” que estava reservado para nós.
Quando o fim da festa foi anunciado, senti meu coração apertar. A última dança começou a ser tocada. Minha noite de Cinderela estava prestes a acabar. Não tive dúvidas que meu príncipe encantado havia dançado a noite inteira comigo. Procurei não demonstrar em meu semblante o quanto aquilo me abatia e deixei meu melhor sorriso camuflar minha tristeza. Se essa noite fosse o único capítulo que ele protagonizaria ao meu lado, eu aproveitaria até o último ponto final. Isso, eu tinha certeza.
Caminhamos em silêncio em direção ao portão de saída. Não sei quem segurava a mão de quem, mas o importante é que nossa conexão continuava estabelecida. Fui ensaiando frases para a hora da fatídica despedida. Um fracasso total. Nada coerente se formulava e olha que Português era uma das minhas matérias preferidas. Nem isso me ajudou. Um caminho de espinhos tinham se alojado em minha garganta. Falar parecia tão doloroso e tudo que pude lhe oferecer naquele curto percurso foi meu silêncio resignado.
Quando ele parou e se virou para mim, minha respiração também deu uma longa pausa. Nossas mãos não se soltaram ainda e tomei aquilo como um bom sinal. Entretanto, quando ele me perguntou que horas poderia passar em minha casa na tarde seguinte, foi que meu corpo ameaçou entrar em colapso geral.
- Está falando sério? – perguntei num fio de voz e com o estômago cheio de bolinhas de sabão.
- Claro que estou. – respondeu me puxando para mais perto. Podia sentir o hálito morno bem próximo ao meu rosto. Nossos olhos se conectaram como na primeira vez. E tomando meu rosto entre as mãos, declarou baixinho:
- Hoje encontrei um tesouro precioso e não vou me desfazer dele por nada desse mundo.
Continuei com um sorriso no rosto mesmo depois de nossos lábios terem se encontrado. De alguma forma, aquela noite nunca acabou. E minha noite de Cinderela continua até hoje. ”
- Quer saber se eu acredito em contos de fadas? A resposta é sim, filha. Eu vivo num deles até hoje. E o meu príncipe, o seu pai, continua me encantando em todos esses dias. A história da minha família é o melhor conto de fadas que conheço. E que continuemos assim: felizes para sempre.

Jorgeana Jorge

Jorgeana Jorge


Não deixe de ler  À Espera de um Adeus (eu ainda tenho que ler também ♥)


Samantha nunca imaginou que o inverno daquele ano em Guarapuava seria tão frio e desafiador. Uma tempestade havia se instalado no seio do lar dos Cadore, e eles só perceberam o perigo quando parecia tarde demais. Douglas não sabia mais como sustentar um casamento com tantas áreas comprometidas. Apenas uma saída pareceu ser possível - o divórcio. Será que ainda haveria chances para reconstruir este lar?
Para Samantha, restava uma última opção: reconquistar seu esposo. Isso não seria nada fácil. As colunas somente poderiam ser reerguidas com a ajuda de um verdadeiro Mestre de Obras.
Personagens importantes aparecem para ajudá-la, e outros surgem dispostos a separar de vez esses dois corações apaixonados. Fé, amizade, traição, superação e muito romantismo permeiam as páginas deste lindo romance cheio de surpresas.
Skoob

E lembrando que tá rolando dois sorteios especiais, de Top Comentarista lá na Fer, do Mato por Livros e por aqui com as postagens especiais do dia dos namorados ♥. 
Saiba mais aqui






Espero que tenham curtido!
Amanhã tem mais, não percam!



* Esse post faz parte do Especial Dia dos Namorados, comente para ter mais chances no sorteio♥♥♥

Formada em Farmácia Hospitalar. Apaixonada por ler e escrever desde sempre. Criou o Blog em 2013 para compartilhar seu amor pelos livros, séries e filmes.

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3 comentários:

  1. Que lindo o conto. Ainda não li o livro da autora mas tenho muita vontade de ler, ainda mais agora hehe. Eu acredito que o amor tem que ser cultivado sim, como uma planta, se não investir e cuidar ele vai acabar.

    Blog Prefácio

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  2. Apaixonei pelo conto Renata. Que lindo! Não conhecia autora e com certeza vou querer conhecer " À Espera de um Adeus. Mais uma dica sua para minha lista de desejados.

    Bjos

    http://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com.br/

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  3. Bem eu já tinha lido né? rs
    Mas amei o conto, e melhor ainda, o esposo dela comentou nele lá no blog, ai um fofo essa história é meio que a deles sabe? ai gente como é lindo.

    Ontem li um conto da Si, Rê ela se inspirou na história dela, ai meu Deus, quase morri chorando, dia 12 vai estar lá no blog, poxa incrível história de vida e amor...

    Beijoss
    Fer

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