28 julho, 2015

{Resenha #79} 1822 - Laurentino Gomes


Oi, gente, como vão?

Depois de ler o 1808 (tem resenha aqui), que achei fantástico e muito bem escrito pelo jornalista Laurentino Gomes (publicado pela Editora Nova fronteira) eu li quase que na sequência o 1822, a continuação da história do nosso "querido" Brasil.



Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil - um país que tinha tudo para dar errado

Minha pergunta: E será que deu mesmo certo??? 

O livro vem na sequência dos acontecimentos pós fuga da família real para o Brasil. Como viviam longe da mãe Portugal, o que faziam para continuar com o domínio sobre as colônias e como continuar sendo forte, poderoso e dominante?

Não li esse livro tão rápido quanto li o primeiro pois tem muita história política e confesso, isso não é a minha praia. Sou burrinha mesmo pra entender de política ahahahahahaha.

O 1808 tem uma história digna de filme de Hollywood, imagina só: reis, rainhas e princesas fugindo para uma terra quase inóspita e pouco explorada. Só que tudo tem um ar meio rocambolesco, na verdade, um príncipe regente medroso e porquinho, uma rainha louca, uma princesa espanhola feia que odiava o marido. Tudo isso aqui, no Brasil, meu país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.

Pois bem....de 1808 até 1822 a coisa muda de figura. O país meio que nasce de forma improvável, pobre e falido. D. João havia voltado para Portugal e raspado os cofres reais. Para as cortes portuguesas, o país deveria continuar sendo colônia e não se rebelar e virar um país independente. Mas eram as circunstâncias.....

É um impossível físico e moral Portugal governar o Brasil, ou o Brasil ser governado por Portugal. Não sou rebelde (...) são as circunstâncias. - D. Pedro, príncipe regente do Brasil, em carta ao pai, D. João VI, seis semanas antes do Grito do Ipiranga

Não vou ficar aqui tecendo todos os montes de motivos pelos quais Portugal não queria "perder" o Brasil, leia o livro, te garanto que vai gostar......

O fato era que isso foi inevitável .....então para o próprio Rei D. João VI, era melhor que seu filho Pedro assumisse esse papel que algum outro aventureiro qualquer. Então veio o famoso grito do Ipiranga, documentado de forma diferente de como aparece para nós nos livros de história. Porém o novo país estava à beira da falência, sem exércitos, navios, oficiais, armas ou munição para sustentar a guerra pela própria independência (D.João faliu o banco que ele mesmo criou, o Banco do Brasil). 

À primeira vista, as possibilidades de sucesso pareciam remotas: o tesouro estava vazio e o país, dividido (...) - Historiador Brian Vale, em Independência ou Morte.


Nesse triste cenário, o jovem príncipe, então com 22 anos, pediu ao pai várias vezes que o liberasse do fardo e o chamasse de volta a Portugal. Porém a história nos mostra que isso não aconteceu e que o próprio D. Pedro trabalhou muito para que o país se consolidasse. 

O príncipe, para dar o exemplo, tinha que economizar cada centavo nas despesas domésticas. Tomando medidas drásticas, cortou seu próprio salário, concentrou as repartições públicas no Paço Real, onde morava e, transferiu-se para o Palácio da Quinta da Boa Vista (antiga casa de D. João VI) - que todo mundo sabe que hoje abriga o Museu Nacional e o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. Também vendeu 1134 dos 1290 animais das cavalariças reais, uma das mais onerosas do mundo. Enfim....ele começou a dar o exemplo....Ah, se todos os políticos fizessem isso.....

Claro que não foi só isso que mudou a história, mas ele tinha que começar de algum lugar, né?

Gostei muito das partes do livro que nos explica ou tenta explicar os motivos políticos pertinentes ao retorno de D. João para Lisboa, a permanência de D. Pedro no Brasil e por que as cortes não queriam por nada deixar de ter essa colônia tão importante e rica.

O livro ainda nos dá um panorama da vida familiar da Imperatriz Leopoldina e seu casamento com D. Pedro I, Imperador do Brasil. Ela trouxe a maior expedição científica que até então já visitara o Brasil. Esse grupo retornaria a Europa com muito material, que hoje está exposto na Academia de Belas Artes de Viena. Ela teve 6 filhos, sendo um deles, Pedro II, o segundo imperador do Brasil. A vida de D. Leopoldina foi meio infeliz, pois as traições do Imperador se tornaram públicas e ela se resignou que jamais voltaria a Europa. 


Na minha lista de desejos está um livro que achei na Amazon, uma biografia da Imperatriz, um personagem tão fascinante quando os demais da família real brasileira. Ainda vou comprar pois quero muito saber mais dela.

Ainda ficamos sabendo um pouco das histórias envolvendo José Bonifácio, a influência dele e da Imperatriz na Independência, as histórias sórdidas envolvendo a Marquesa de Santos, talvez a primeira lobista do país e outros tantos personagens históricos que estudamos na escola. 

Terminada a leitura não há como não se espantar com a minuciosa pesquisa realizada pelo jornalista e que resultou brilhantemente em 3 livros, que sem dúvida são de uma importância absurda, pois nos traz a tona muitos fatos que de fato não estudamos na escola. A gente estuda só o superficial, quase nada nos leva a refletir. 

E por mais incrível que possa parecer o entendimento do passado nos leva a compreender o presente e planejar melhor o futuro. Somos taxados de país sem memória, o que é a mais pura verdade. Mas ler obras assim só me faz pensar que não precisamos ser sem memória, é só resgatar aquilo que se perdeu e refletir no seu significado.

Me desculpem pela resenha gigante, mas eu me empolguei mesmo lendo os dois livros e em breve lerei o 1889.


Beijos e comentem o que acharam!

Formada em Farmácia Hospitalar. Apaixonada por ler e escrever desde sempre. Criou o Blog em 2013 para compartilhar seu amor pelos livros, séries e filmes.

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4 comentários:

  1. Renata,
    Conhecer mais da história da família real pode ser bem interessante.
    Beijos, Fernanda D.
    NovoRomance.com.br

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    Respostas
    1. Olá, Fernanda, eu sempre adorei história e sempre tenho curiosidade nesses fatos históricos, mas que são pouco difundidos ou discutidos
      bjs

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  2. Muito legal ver sua empolgação com esses livros, o Laurentino realmente decidiu sua vida a essa pesquisa detalhada e reflexiva. Ainda estou lendo 1808, aos poucos e sem cobranças, estou adorando cada detalhe. Minha versão é econômica, então as letras pequenas me cansam um pouco assim leio uns três capítulos por vez, mas creio que terminarei ainda esse mês!!
    Beijos

    P.s. Parabéns pela leitura!!!
    Leituras, vida e paixões!!!

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    Respostas
    1. Olá, Aline, fico feliz que esteja lendo e também gostando do 1808, confesso que devorei o livro kkkkkkk, pois gostei demais da conta! O segundo já demorei mais e ainda não iniciei o 1889, mas assim que terminar quero saber a sua opinião, que acho que fica parecida com a minha, adoro esses livros de "história"
      bjs

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