02 outubro, 2016

O pai do terror brasileiro: José Mojica Marins ou Zé do Caixão?


Criador e Criatura vem se confundindo ao longo dos anos!


A biografia do Zé do Caixão foi lançada pela Editora Darkside em 2015. A primeira edição dessa obra foi publicada em 1998, alguns anos após o nascimento da primeira ideia de escrever uma biografia sobre José Mojica Marins. Na verdade foi mais ou menos na época que ele começou a ficar famoso nos Estados Unidos como Coffin Joe. 

Fico meio me perguntando se ele não tivesse começado a ficar famoso lá fora, será que por aqui iam prestar atenção no seu talento? Nunca saberemos, não é?


As lembranças que tenho do Zé do Caixão são engraçadas. Ele em algum programa de TV (Viva a noite e coisas "velhas" do tipo)....Daí ele ia cortar aquelas unhas enormes (e cá entre nós, nojentas). Ou então falando de algum filme...Lembro da cena da mulher saindo de dentro do porco ou a cena das aranhas. Quando você é criança ou você acha terrível ou engraçado. Confesso que achava um pouco dos dois. E só depois de algum tempo que fui descobrir que ele era cineasta e como tinha uma parcela imensa de importância no cenário cult nacional.


 
Zé do Caixão é um personagem amoral e niilista (tive que recorrer ao dicionário, gente!) que se considera superior aos outros e os explora para atender a seus objetivos. Ele é descrente obsessivo, que não crê em Deus ou no diabo. Sua ocupação é agente funerário. Sua crueldade e sadismo são conhecidas e temidas pelos habitantes da cidade onde mora. Na verdade ele é odiado por lá. O tema principal da saga do personagem é sua obsessão pela continuidade do sangue: ele quer ser o pai da criança superior a partir da "mulher perfeita". Sua ideia de uma mulher "perfeita" não é exatamente física, mas a de alguém que ele considera intelectualmente superior à média. Na busca por esta mulher ele está sempre disposto a matar quem cruza o seu caminho.

Sinistro, não?

 Minha caveirinha mais que linda fazendo figuração!!!!!

José Mojica Marins criou o personagem em 1963, baseado numa figura de um pesadelo que teve, que ele descreve em detalhes na biografia. Uma das características principais do personagem é seu sadismo e crueldade. Sempre usa animais (como aranhas) para amedrontar seus telespectadores, juntamente com frases sobre a morte. Umas frases de impacto sinistras (meio engraçadas, hoje em dia). 

O que é a vida? É o princípio da morte.
O Que é a morte? É o fim da vida.
O que é a existência? É a continuidade do sangue.
O que é o sangue? É a razão da existência!

A inspiração do visual é meio clássica, né? Drácula, de Bela Lugosi, da década de 30, dos Estúdios Universal. Filmes antigos que ele tanto admirava! Já as unhas grandes foram inspiradas no personagem Nosferatu. O personagem se veste de forma elegante e classuda, com capa e cartola.


Embora seu gênero seja basicamente o terror, José Mojica acabou fazendo de tudo um pouco no cinema brasileiro. Faroeste, drama, aventura, pornochanchada. Conhecendo um pouco mais da sua história, percebemos que ele tinha um estilo todo próprio de filmagem, que ora foi massacrada pelos críticos, ora foi reverenciada. Porém, volto a falar, reverenciada após seus filmes começarem a ser considerados cult no circuito internacional. 


Eu aconselho, gente! Se quiserem conhecer um pouco mais dessa figura inusitada que se confunde todo o tempo com a criatura que criou, leiam essa biografia! Eu demorei a ler, confesso.....Acho que nunca tinha lido biografia antes. Não é uma história com começo, meio e fim...mas é sempre muito bom saber um pouco mais das histórias de vida desses personagens fantásticos. Eu fiz resenha (claro) e alguns posts no estilo #Diário de Leitura. Vou deixar todos os links por aqui, caso queiram saber mais, vou adorar a visita em outros posts. Deixa comentário, tá?


E uma dica de amiga (das boas!). Descobri que no Blog da Ana Costa (aquela do desafio do Poe) vai rolar um projeto super irado durante o mês de outubro #MEDO, onde vai ter discussão de filmes do Zé do Caixão. Dá uma olhada por lá, vai valer a pena! 


Formada em Farmácia Hospitalar. Apaixonada por ler e escrever desde sempre. Criou o Blog em 2013 para compartilhar seu amor pelos livros, séries e filmes.

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1 comentários:

  1. Renata menina fiquei mega curiosa desde que você falou que estava lendo essa biografia. Minhas recordações do Zé do Caixão são semelhantes às suas. Morria de nojo das suas unhas ;(
    Enfim muito bom saber que esse livro conta em detalhes toda trajetória desse homem e personagem tão marcantes.
    Beijos e parabéns pela leitura e divulgação!!!

    Leituras, vida e paixões!!!

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