07 maio, 2017

{Resenha #184} Medo Clássico: Edgar Allan Poe: Mulheres Etéreas



Então....pensei que daria para ler na sequência, ler como um livro mesmo...mas não dá, não deu, quer dizer....Não dá para ler Poe assim, obrigada, numa sequência como se fosse um livro de história com começo, meio e fim.....Afinal é um livro de contos!

Então o que eu fiz? Fui na na separação irada que o livro tem e como não podia deixar de ser li Mulheres Etéreas primeiro.

Os contos são Ligeia, Berenice e Eleonora. 💀💓💀💓💀💓

Eu já tinha lido Morela, na verdade uma das primeiras coisas que li do autor. Ele encontra uns nomes estranhos, né? Mas Morela não está nesse livro.


A verdade é que pela primeira vez numa edição nacional, os contos estão divididos em blocos temáticos que ajudam a visualizar a enorme abrangência da obra. A morte, narradores homicidas, mulheres imortais, aventuras, as histórias do detetive Auguste Dupin, personagem que serviu de inspiração para Sherlock Holmes. 

E como eu gostei disso, além de me fazer entender melhor a cabeça do autor (como se isso fosse possível, mas a gente tenta) me ajudou a ler a coisa toda de uma forma mais proveitosa, do que se eu lesse naquela sequência de lá, pois como eu já falei não é um livro com começo, meio e fim de uma história.


Entender a visão feminina de Poe é um trabalho árduo...ou divertido. Eu achei por aí, pescando na internet vários trabalhos sobre isso. E realmente pretendo ler. Pois que ele é sombrio e macabro eu já sabia, mas...todas as mulheres estão mortas? Ou vão morrer? Fiquei tensa, lendo algumas partes dos contos...srsrsrs

A mulher é sempre bela, no conceito do autor, claro, pura, linda, imaculada...Ela é celestial e PERFEITA! Pelo menos aos olhos dele....

Me intrigou muito ler esses três contos, pois além de belas elas são inteligentes, não sei se eles usa exatamente essa palavra inteligente, mas elas tem uma bagagem cultural que chama a atenção para o narrador. Não sou uma profunda conhecedora da obra do autor, mas acho que isso é bom. Ele não considera a mulher uma cabeça oca, ao contrário, num dos contos ele até cita que ela é extremamente letrada.

Ligeia

Foi publicado pela primeira vez em 1838. Na mitologia grega, Ligeia era uma das sereias, filhas do deus-rio Aqueloo e da muda Terpsícore. Também é citado na mitologia o primeiro casamento de Ligeia com um carpinteiro troiano, que morreu durante a Odisseia.


O narrador começa a falar de sua amada Ligeia, apesar de não lembrar (ou não querer nos contar) como a conheceu. Ele fala de sua beleza e inteligência (sua rara erudição) e de como ela é prefeita e singular. Ele cita um pouco da família dela, mas diz que não lembra do sobrenome. A descrição que ele faz dela é bem apaixonada (pelo menos no meu ponto de vista).

💀 Era alta, levemente esguia e, no fim da vida, chegou a ficar emaciada. Seria vã qualquer tentativa de retratar seu porte majestoso 
e sereno ou a incompreensível leveza e elasticidade de seus passos. 💓


Porém chega um momento que ela fica doente e morre (qual a surpresa, né?). Agora viúvo, se muda para outro país e acaba se casando novamente com outra Lady. Porém esse casamento não é lá muito feliz, ele fica viciado em ópio e chega a ter pensamentos violentos, inclusive contra a nova esposa. Misteriosamente Lady Rowena também ficou doente. Antes da morte da segunda esposa o narrador parece que começa a ter visões de sua primeira esposa morta, Ligeia....Daí ele não consegue mais distinguir quem é quem - Uma morreu e a outra está quase - mega macabro isso!

Poderia ser alucinação do ópio, quem sabe? Eu fiquei meio sem saber se seria alucinação ou não....Aqui tem um breve resumo desse conto,muito bom esse texto.

Berenice


Achei esse bem sinistro! Já começa meio dramático....

A infelicidade é múltipla. 
A desgraça se alastra na terra em variadas formas. 

Aqui o narrador é um homem chamado Egeu. E de cara ele fala que não vai revelar muita coisa, como por exemplo, seu sobrenome. Egeu basta. Ele começa a contar um pouco de sua vida e de como Berenice entrou nela. Aqui já começa a melancolia costumeira, ele muito doente, ela a viveza em pessoa. Mas o que eu acho estranho (de novo) é que a mulher sempre morre....ou está morta....

A doença que acometeu Berenice a deixou diferente a seus olhos. Ele não a reconhecia mais....Depois fiquei realmente sem saber que parte era sonho, que parte era realidade, a doença só não acometeu os dentes da amada Berenice, que Egeu ficou obcecado. Daí tem toda aquela atmosfera de morte e uma violação de túmulo..."visitar o túmulo de minha amada".

Esse foi sinistro! Mais que Ligeia....

Eleonora


Mais uma paixão nos é relatada. A amada da vez é Eleonora. Ela tinha uma beleza de um serafim, uma donzela ingênua e inocente quanto a vida que desfrutara entre as flores. De novo a Dona Morte vem buscar mais uma mulher. Segundo o narrador Eleonora fora feita perfeita para morrer. Ela tinha medo porém de que após seu sepultamento seu amado fosse cair em outros braços. Tudo começar a ficar meio sobrenatural quando ela lhe fala que "voltará para lhe guardar todas as noites".

Conforme o tempo vai passando o próprio narrador nos fala que a mente dele está escura e ele mesmo não confia na plena sanidade das lembranças. A vida desapareceu do lugar tão idílico que ele compartilhara com Eleonora e o lugar começou a lhe trazer sofrimento. Dessa vez o final, apesar do tom melancólico, não foi assim tão trágico e eu gostei. Quase como se fosse um final feliz, como se isso fosse possível nas obras de Edgar Allan Poe.


E foi isso, fiquei bem feliz lendo esses contos. Bem feliz mesmo! Claro que tive que consultar a internet para entender algumas ponderações a respeito da interpretação, mas nada que me impedisse de saborear a escrita do autor.

Quando eu ler mais eu conto o que achei!

Obs: "catei" essas imagens na internet, sem fonte definida, se você for o dono delas por favor não hesite em me avisar, para que eu possa citar a fonte adequadamente. Obrigada!

 Cedido em parceria com a Editora Darkside Books para resenha aqui no blog, as opiniões são sempre as mais sinceras possíveis, tá?

Formada em Farmácia Hospitalar. Apaixonada por ler e escrever desde sempre. Criou o Blog em 2013 para compartilhar seu amor pelos livros, séries e filmes.

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