07 agosto, 2017

Entrevista G. Profeta e Fabio Vieira, autores de 金 KIN: A garota fantasma da Liberdade


Olá, pessoal! Nesse post aqui eu falei de um super lançamento do Studio Magenta, em financiamento coletivo pelo Catarse. Trata-se de 金 KIN: A garota fantasma da Liberdade ♥


 KIN é um mangá de 80 páginas com roteiro de G. Profeta (autor de Melissa em Ellipsia) e arte de Fabio Vieira, que narra a jornada da justiceira no centro da cidade de São Paulo, abordando questões como justiça, escolhas e consequências.

Por intermédio do Studio Magenta o autores concederam uma mini entrevista aqui para o blog, para falar um pouquinho do quadrinho, vamos conferir??




{Uma Leitura a Mais} Vindo de uma leitora que há apenas pouco tempo começou a curtir ilustrações e mangás, falem um pouquinho da trajetória de vocês.

G. Profeta: Eu sempre quis contar histórias. Não importava muito o formato: contos, romances, quadrinhos, audiovisual... Na verdade, as narrativas transcendem o formato; as pessoas contam histórias há milhares de anos, muito antes do cinema, da internet ou mesmo do papel, desde que um grupo de ancestrais nossos se reuniu em volta de uma fogueira para ouvir o que um determinado cara tinha a dizer. Era esse cara que eu queria ser. Assim, usar o mangá para contar uma história é uma possibilidade — e uma que eu estou curtindo bastante —, mas definitivamente não é a única. Foi esse ensejo que me levou ao jornalismo e à roteirização.

Fabio Vieira: Nossa! Foi uma trajetória longa até que eu chegasse/entendesse o desenho e arte na minha profissão. Mas basicamente, eu desenho desde pequeno! E como todo mundo, passei por uma fase onde os adultos/sociedade começam a nos desestimular com suas percepções de mundo: “mais isso é um coelho? Não parece um coelho...” e dai a arte foi ficando de lado. Só nos reencontramos (eu e a arte haha) quando eu descobri o Mangá, isso já com 16 anos. Depois do 1º volume de xxxHolic (Clamp), eu não parei mais! Eu queria ir além, queria ser mais que um leitor... e foi buscando por escola que me ensinasse a fazer aquilo que eu lia que eu conheci a Gisela Pizzatto (autora de “O Peso da Água”), quem me ensinou a desenhar, a amar ainda mais os quadrinhos e que a arte, por mais difícil que fosse, era o caminho que eu desejava seguir. Cá estou!


{Uma Leitura a Mais} Lendas Urbanas são sempre fonte de inspiração, mistério e pelo visto de inesgotável criatividade. Como surgiu a ideia para KIN?

G. Profeta: Eu acho que nós precisamos encontrar (ou reencontrar) o mistério. Nós temos pouco disso na vida contemporânea, mas não foi sempre assim. Uma de minhas avós, por exemplo, nasceu e cresceu num sítio, no interior de São Paulo, e ela costumava me contar, quando eu era criança, uma série de histórias sobre como as pessoas viam o boitatá à noite, quando estavam voltando para casa. Já o meu avô me contava como o pai dele, também na zona rural, havia tido um encontro com o saci. Essas histórias provavelmente não são verdadeiras, mas ainda assim as pessoas as contavam. E por quê? Porque elas nos dão calafrios. Num sítio próximo à floresta, à noite, no escuro, ouvindo nada além das cigarras e das corujas, deveria ser mais fácil imaginar esse tipo de coisa. Nas cidades, contudo, não é assim, e é por isso que nós somos carentes de lendas, de mistério. Quando surge alguma lenda urbana, eu acredito que seja para suprir essa carência que nós temos.

{Uma Leitura a Mais} G. Profeta, fala um pouquinho da sua primeira história em quadrinhos, Melissa em Ellipsia, também financiada coletivamente na plataforma Catarse em 2016.

G. Profeta: Melissa em Ellipsia foi o meu pontapé inicial nas histórias em quadrinhos. Ela foi baseada num roteiro para cinema que eu escrevi em 2009, na época nos Estados Unidos, e que ficou engavetado durante bastante tempo, até ganhar vida pelos traços da Ligia Zanella. A designer Priscila Nakajima também colaborou, assinando o projeto gráfico e a diagramação. Basicamente, Melissa em Ellipsia é uma história sobre uma história dentro de uma história. Ela trata do processo criativo de quem escreve fantasia, de como o autor faz parte da história que escreve. Felizmente, ela foi financiada coletivamente em 2016 e reuniu público suficiente para virar um outro projeto paralelo: Ellipsia além de Melissa, uma coletânea de spin-offs que foi coescrita por mim e outros cinco autores. Esse segundo livro deverá ser lançado ainda em agosto e também foi financiado via crowdfunding.



{Uma Leitura a Mais} Vocês acham que KIN pode agradar todos os tipos de leitores ou apenas leitores que curtem a cultura japonesa?

G. Profeta: KIN não é uma história japonesa. Eu não sou japonês, nem o Fabio. Nós não pretendemos nos apropriar de uma cultura que não é nossa. Por outro lado, a quem pertence uma cultura? Nós fomos expostos ao haikai, ao shodo, ao sumie, ao mangá e a tantas outras formas de expressão tipicamente nipônicas, justamente porque os japoneses decidiram vir para o Brasil em algum momento do século passado, então essas formas de expressão também passam a ser nossas, de certa forma. Uma vez que KIN foi influenciada por tudo isso, ela pode tender a agradar esse público que, como nós, aprecia essas formas de arte vindas do Japão. Porém, volto a reiterar que KIN não é uma obra japonesa. Nós somos brasileiros e KIN é uma HQ brasileira.

Fábio Vieira: Uma das primeiras coisas que o Guilherme pontuou quando começamos a conversar sobre o mangá era a importância da cidade, no caso São Paulo. Que KIN deveria se passar no Bairro da Liberdade, que deveria ser uma moradora de lá... alguém que pega o metrô, sabe? Ele escreveu uma história brasileira, criou uma justiceira brasileira, nascida e formada pelo nosso meio. E, por mais que o estilo visual beba de toda a cultura japonesa que nos encanta e que o próprio Bairro da Liberdade nos apresenta, ela definitivamente é uma história brasileira. E é isso que a faz atingir todos os públicos, ela tá próxima de nós!

{Uma Leitura a Mais} O Bairro da Liberdade e vários lugares que vocês mencionarão na HQ são quase ícones de São Paulo, pontos turísticos e conhecidos até por quem só esteve de passagem por lá. Isso é uma forma de homenagear a cidade? Ou a história só poderia ter mesmo esse pano de fundo?

G. Profeta: Sim e sim. É uma forma de homenagear a cidade e a história só poderia se passar nesse cenário específico. Porque a cidade também é uma personagem. Ela está lá, onipresente, e a mesma história não poderia ser contada em outro lugar. Para nós, como autores brasileiros, é refrescante contar essa história, porque nós estamos saturados de ver Nova Iorque e Tóquio em produções estrangeiras. Sempre que uma nave alienígena pousa na Terra, é Nova Iorque que ela destrói. Sempre que dois robôs gigantes decidem sair na porrada, é em Tóquio. Nós não precisamos replicar essas tendências se não quisermos. Uma boa história pode acontecer em SP, na Avenida Paulista e até no beco da Liberdade.

Fábio Vieira: Não é empolgante?? \o/ Agora, toda vez que visito a Liberdade e olho para cima, os prédios crescendo lado a lado, os cabos de energia se intercalando, consigo ver KIN saltando. A cada lanchonete e loja de conveniência imagino ela pronta a atender o próximo cliente, só esperando o anoitecer para voltar para sua vida de justiceira. Ela é real, ela é paulistana... a cidade e os personagens estão conectados de inúmeras formas. Não sobreviveriam separados.

Ah! E não pense que apenas os pontos turísticos foram retratados. Quem conhece bem a Liberdade vai encontrar muito do bairro no quadrinho. Tivemos um cuidado imenso em escolher os locais onde tudo acontece! Fotografamos o bairro de cima a baixo. Quem passa por lá pode até visitar o beco onde KIN encont... opa! Sem spoilers, né?!


Queria muito agradecer o tempo de vocês em responder essa mini entrevista. Já estou ansiosa pra chegar 2018 e ter Kin nas minhas mãos.

G. Profeta: O prazer é todo nosso! <3


Fábio Vieira: \o/ Muito obrigado pela oportunidade, sempre! Sei que você acompanha o trabalho do Studio Magenta, apoia e divulga os projetos! Muito obrigado mesmo <3 E corre lá conhecer e apoiar, genteeeee!!! Haha


E aí? Espero que tenham curtido!

O financiamento está em 36% no Catarse. Vamos apoiar?? Catarse/ KIN

Formada em Farmácia Hospitalar. Apaixonada por ler e escrever desde sempre. Criou o Blog em 2013 para compartilhar seu amor pelos livros, séries e filmes.

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