30 novembro, 2017

{Resenha #223} Belinda - Maria Edgewoth - Pedrazul Editora



Olá, pessoal, tudo bem? Hoje trago mais uma resenha de um clássico Pedrazul EditoraBELINDA, de Maria Edgeworth ♥



Mas primeiro é preciso falar quem foi Maria Edgeworth, porque eu mesma fui pesquisar pois não tinha a mais vaga ideia de quem era essa autora clássica. 

Ela foi uma prolífica escritora anglo-irlandesa de literatura infantil e para adultos, uma dos primeiros escritores realistas em literatura infantil e uma figura importante na evolução do romance na Europa. Ela teve visões avançadas, para uma mulher no seu tempo, na gestão de imóveis, política e educação e se correspondeu com alguns dos principais escritores literários e econômicos da época (achei isso meio machista, mas se formos pensar que as mulheres eram menos do que são agora, estar nessa posição era um "privilégio").

Maria era assistente (a partir dos 16 anos) de seu pai na gestão da propriedade Edgeworthstown, que se tinha tornado degradada durante a ausência da família. Ela viveu e escreveu lá pelo o resto de sua vida. Maria e seu pai começaram uma colaboração acadêmica ao longo da vida. E ela aproveitou seu senso de observação e registrou detalhes da vida irlandesa diária, depois aproveitando esta experiência para seus romances (assim como Jane Austen também o fez).


Belinda é de 1801 😱😱😱 A história gira em torno dela e de Lady Delacour. Mrs. Stanhope fez de tudo até conseguir que a dama mais elegante e influente de Londres, a notória viscondessa Lady Delacour, convidasse sua última sobrinha solteira para passar uma temporada com ela. A esperança de Mrs. Stanhope era de que Belinda conseguisse, como suas demais primas, um bom e rico marido. A jovem, então, é jogada num intenso tumulto social e acaba se envolvendo nos conflitos familiares da aristocrática família Delacour. Enquanto a belíssima Lady Delacour tenta chamar para si a atenção de Mr. Clarence Hervey e de outros cavalheiros, com artimanhas e coquetismo, vivendo uma rotina de glamour e dissipação, ela enfurece o marido, Lorde Delacour. Em meio à agitada vida social de bailes e recepções, o coração da jovem Belinda é tocado por Mr. Hervey, mas ele está comprometido. Resta a Belinda se casar com Mr. Vincent, o protegido da sóbria família Percival. Belinda é a envolvente história de uma jovem forte e sensata, que luta para manter sua integridade, mesmo estando sob a tutela de uma dama fútil e inconsequente. 



Parece que a atividade doméstica das famílias do século 19 se resumiam a isso né? Arrumar bons partidos para as damas! Parece risível, mas é a realidade histórica. O que mais uma mulher podia fazer além de cuidar da casa, do marido e dos filhos?? Ela não era nada mesmo, não tinha direito a nada....(será que temos hoje?? - deixa quieto)....

Então Mrs. Stanhope consegue que Belinda vá para a casa de Lady Delacour como sua hóspede e sua protegida, sua tia tem a esperança de que ela vá logo achar um bom partido para um casamento adequado. Só que a vida da lady é enfadonha e infeliz! Tem um comportamento arrogante, orgulhoso e pior, seu casamento é pura fachada. Lord Delacour vive bebendo e os dois se tratam muito mal...Claro que longe dos olhos da sociedade...Para o mundo ela é uma mulher feliz e vivaz!

Em contra partida, existe a bondosa Lady Anne Percival, que é doce e encantadora, uma criatura feliz e cuidadora, extremamente terna e incapaz de ferir alguém. Já a jovem Belinda parece ser diferente das outras moças, ela é bem racional e sem "coquetismos", coisa que parece ser indispensável nas damas. Ela sempre é provocada pela dama mais velha, mas sempre está contida (até demais em alguns momentos!). Belinda é firme em seus propósitos e convicções, mas parece que a sociedade fútil e vazia em que elas vivem admiram mais a falsidade!  



Um outro personagem importante na trama, co-protagonista eu diria, é o Clarence Harvey. Bom, ele não é nenhum Sr. Darcy. Ele é bem chatinho, mas bem chatinho mesmo e extremamente babacão (com o perdão da palavra bem chula). Ai ai, não sei, mas não consegui achar outro adjetivo para ele. Ele me pareceu meio vazio durante todo o livro, mas sempre pajeando a Lady Delacour.....e claro, Belinda a rebote, porque as duas quase sempre estavam juntas, né? Ele está noivo de uma moça, mas fica fascinado pela dama mais velha, que realmente chama muito atenção de todos!

Naquela época, todo mundo bem sabe que os homens praticamente compravam as esposas né? Eles por serem bons partidos praticamente enumeravam as qualidade de uma dama antes de pedir a sua mãe ou fazer a corte, que eram a submissão, saber tocar piano, falar outras línguas, tudo aquilo que fala em Orgulho e Preconceito quando Elizabeth e Darcy tem aquela conversa depois que o Sr. Bingley fala das mulheres prendadas - vocês bordam almofadas - AMO ESSA PARTE....

Mas voltando a Belinda, as qualidades procuradas numa esposa eram a beleza, a submissão, a educação refinada.....mas refinada para os afazeres domésticos, enfim...Isso tudo aí...



Então é isso, a história gira em torno desse viés fútil de algumas pessoas, outras que são influenciadas por terceiras e por aí vai a vida da aristocracia do século 19. Uma vida de aparência, de fingir ser o que não é, de aparentar orgulho quando tudo é infelicidade. A pobre Belinda foi jogada no meio de um turbilhão de emoções e se manter firme nas suas convicções de caráter não será nada fácil.

O livro da Pedrazul tem uma excelente edição, com ilustrações e uma capa linda e fotogênica. A escrita da autora me lembrou muito da Jane Austen, que aliás já citou a autora Maria Edgeworth em seus livros e segundo consta se inspirou nela em alguns aspectos, tipo zombar das convenções de seu próprio tempo!

Não vou dizer que foi uma leitura fácil, pois não foi. Meio lento em algumas partes e com textos compridos em outras, acaba sendo uma leitura para ser mais degustada de partes em partes, uma leitura mais lenta mesmo. Mas ainda assim uma leitura indispensável para quem ama a Literatura Inglesa Clássica e suas grandes figuras femininas!

Formada em Farmácia Hospitalar. Apaixonada por ler e escrever desde sempre. Criou o Blog em 2013 para compartilhar seu amor pelos livros, séries e filmes.

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