Hoje é dia do Farmacêutico: comemorar o quê?


Hoje, dia 20 de janeiro é dia do Farmacêutico. Aqui na cidade do Rio de Janeiro é dia de São Sebastião, que por acaso é o padroeiro da cidade....Logo o idiota que instituiu essa data não pensou na competição....enfim....


Eu sou farmacêutica hospitalar. Já vai fazer 10 anos, é muito tempo, né? Na época da faculdade queria muito seguir a área hospitalar, tinha a ideia que queria e que ia trabalhar no SUS, que até então na minha cabeça era a coisa mais linda que existia. Uma visão tão ampla de tudo, tão estratégica, tão humana....Hahahahah....sai para lá, inocente...

Fiz bons estágios em hospitais públicos, fiz prova e fui aprovada para residência em farmácia hospitalar. Com bolsa maior do que o próprio salário de profissional contratada, mas enfim....A bolsa da residência em farmácia se equipara a bolsa da residência médica, deve ser por isso.

Beleza, lá na minha residência no hospital municipal eu vi que a a realidade não era assim tão linda quanto os artigos e quanto a constituição de 88. A saúde é deito de todos e dever do Estado! Caramba, então ele tem que zelar pela nossa saúde? Como isso? No mínimo tendo um hospital público de qualidade para atender a populção, não? Enfim....

Lá alguns profissionais eram muito bons, outros tinham aquele ranço de funcionário público que acha que não tem que trabalhar ...e ainda receber por isso, pelo serviço que ele não faz! Enfim.....faltava medicamento, teve roubo no hospital....muita coisa que a gente vê em unidade pública de saúde. Parte da profissional que sou hoje, eu aprendi lá....aprendi muita coisa, como se deve trabalhar e como não se deve. Me formei nessa especialização e comecei o meu primeiro emprego de farmacêutica numa grande rede de hospitais do país. Só porque é grande paga muito, proporcional a a sua fama? Ledo engano! ahahahahahaha......Mas não era um salário ruim para quem estava começando a carreira e outra, para quem estava querendo mais experiência. De novo aprendi muito, mas muito mesmo e moldou mais um pouco do meu eu profissional, sabe? Aprendi tanto quanto acho que não vou aprender em mais nenhum outro lugar. Mas como nem tudo são flores, a medida que a carga de trabalho e a responsabilidade iam aumentando o salário não andava junto então, passa um tempo e rola um desgaste natural, quem concorda??

Fui lá eu trabalhar em um lugar que ganhava mais, e trabalhava um pouco menos. Porém com a desorganização absurda do lugar não dava para mim.....Mudei de novo de emprego e fui para outro onde o salário era infinitamente mais baixo que os dois lugares que eu estava antes (escolha minha). Prova de que dinheiro não traz felicidade para ninguém, concordam? Em tese sim! Na prática não...na na ni na não.... Cara, dinheiro paga conta, dinheiro ajuda a quitar o financiamento da casa antes de 2030....dinheiro faz você poder passear um pouquinho de vez em quando sem ter que economizar horrores e cortar daqui e dali.....Enfim, dinheiro faz diferença...Ainda mais quando tudo aumenta e o seu salário dá uma estagnada nada nada nada....Se você executa as mesmas tarefas sempre dá para empurrar com a barriga, mas se as tarefas crescem exponencialmente tem alguma coisa errada, não?

Voltando ao ponto, na minha humilde reflexão podemos trabalhar em vários lugres, mudar, mudar....se o salário não for condizente com o seu tipo de responsabilidade e tarefas, você sempre vai se achar assoberbado de coisas para fazer e aborrecido com o mundo que o cerca!

Mas o grande problema que eu acho é que as tarefas se acumulam, as organizações enxugam seus quadros e o serviço que antes era executado por 3 agora é efeito por dois e depois é feito por um apenas.....

Eu trabalho 44 horas semanais, isso mesmo, igual "peão de obra", trabalhador braçal que só executa, que não precisa pensar (desculpa ae quem é peão de obra, mas estou sendo sincera) e recebo o piso da minha categoria. O piso! Claro, menos que o piso, pois em cima desse incidem os descontos trabalhistas....

Como que dá para ficar feliz? Não é questão de gastar menos, é questão de que tudo aumenta o ano todo e um aumentinho uma vez por ano por discídio coletivo (ou seja, por obrigação) não atende as necessidades...e olha que nem sou gastadeira hein...imagina se fosse igual um povo aí que vive endividado?

Daí o que acontece é que 10 anos depois eu reflito que apesar de amar o que eu faço eu meio que estou no lugar errado. Sempre me imaginei trabalhando com arte ou educação e no momento não faço nenhuma das duas coisas. Comecei uma segunda faculdade de jornalismo mas parei no segundo período, no boom da "crise financeira" - não dá para eu gastar 500 reais em supérfluo uma vez que eu já tenho uma faculdade não é?? Até daria, se fosse me dar retorno em médio prazo, mas eu só ia me formar daqui a 4 anos, e aí??? Tentei me enveredar pela área da educação, mas ainda não acertei o alvo....Então agora vou ver uma coisa que vai se safar a médio longo prazo, que são os concursos públicos, claro de fora da minha área, porque amigos, a área da saúde tá bem falida, mas falida mesmo.... E eu não quero ser o último ocupante desse barco....

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