[Resenha]: Doce Ilusão — de P. M. Mariano

Hoje apresento-lhes a sequência dessa saga que há tempos anseio ler (para conferir a resenha do primeiro livro, clique AQUI). E já de antemão agradeço a autora e parceira  Priscila M. Mariano  por enviar "Doce Ilusão", livro 2 da série "A Saga de Um Pintor". Confira agora a sinopse e o que eu achei da obra, uma publicação da Drago Editorial.

Sinopse: Até onde uma vida sofrida pode mexer com a psique de um ser humano? Felipe viveu um inferno na vida e, graças à sorte ou um milagre, está livre de todos os tormentos, pelo menos era o que pensava. Sua sina ao ter fugido do abrigo São Marcos, foi-lhe uma experiência amarga. Está livre! E para a sua felicidade, ao lado daqueles que mais ama. Acha ter controle de seus sentimentos, e que superou os reveses de sua vida. Vive conforme o dia a lhe dar trégua. Sempre amparado pelos amigos e àqueles que seu coração designou como a sua verdadeira família. Até que seu passado lhe surge à frente, dando-lhe uma rasteira e, toda tranquilidade que tinha, cai-lhe aos pés. Então, seus sonhos, sua felicidade, era uma realidade ou, simplesmente, uma doce ilusão?


"Porque pior que uma doce ilusão é uma amarga verdade..." 

Uma sequência dilacerante!

Felipe teve uma infância monocroma, sendo violentado pelo pai e passando por situações destrutíveis. Ao completar quinze anos, consegue fugir de seu novo atroz  Soares , que comanda uma rede de prostituição. Ele volta a morar com Marcele (ex mulher do seu terrível pai já falecido), a pessoa que considera como mãe. Mas diferente do que imaginava, começa a ter um novo tormento, chamado Orlando, que o chantageia exigindo serviços sexuais, ameaçando as duas pessoas que ele ama  Marcele, sua mãe adotiva e Dulcinéia, empregada de Marcele.

"Agora ele estava diante de seu prédio, taciturno, sentindo-se amargo, triste. Queria fugir daquilo, desesperadamente, esquecer. Não enquanto Marcele e Dulcinéia estivesse na mira daquele safado. Tinha medo de desaparecer e este fazer o que dissera. Atacá-las. Sabia que ele era louco o suficiente para fazer o que lhe havia dito. Estava tão entorpecido por seus sentimentos tristes que chegou a gritar assustado, quando se sentiu agarrado e com a boca tapada, bem seguro pela cintura, foi jogado dentro de um carro. "(Livro: Doce Ilusão, Pág. 42)




E novamente Felipe é capturado e enviado para a vila, ficando à mercê do cruel Soares. Contudo, ele é resgatado e volta a morar com Marcele e Dulcinéia, acabando por passar por uma nova tribulação.

"O que realmente estava em jogo era o nome da família. Estremeceu, era como se nada antes a denegriria. Todos haviam esquecido Carlos Fabio. Voltou a olhar ao pai com atenção. Toda razão para aquele desconforto em relação a Felipe estava exatamente naquele problema, em Carlos Fabio. O menino fazia lembrar a família o pervertido que fora o primogênito dos Albuquerque. Ele era um incômodo." (Livro: Doce Ilusão, Pág. 81)

Apresentando a sua real condição sexual, o homossexualismo, é apaixonado pelo amigo André e, com isso, terá de enfrentar o repúdio da família.

"— Você é um herói, Felipe! Você salvou a muitas crianças com o seu altruísmo. Salvou Tobias de um pai pervertido e a André  beijava-lhe os olhos com carinho, bebendo suas lágrimas  de um futuro desgraçado." (Livro: Doce Ilusão, Pág.136)

Agora cesso os comentários para não soltar mais spoilers.

Diferente do primeiro livro, que apresenta o início de uma triste infância, onde uma criança sofre horrores nas mãos daquele que deveria protegê-lo, essa sequência aborda as consequências de uma vida, inicialmente, destruída.

DOCE ILUSÃO é uma triste sequência, onde aborda o preconceito em nível elevado. Além da repulsa dos familiares devido a condição sexual de Felipe, há também a aceitação do próprio, julgando-se e acarretando incertezas. Apesar da abordagem dramática em grandiosidade, senti um pouco pela repetição de acontecimentos, focando na relação sexual de Felipe e André. Alguns acontecimentos foram corriqueiros por demais, mas, ainda assim, não deixaram de ser instigantes. O enredo, assim como no primeiro livro, conseguiu me prender, deixando-me instigada em saber o que virá depois de tantos tormentos.

A trama é narrada em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está perfeita, com fontes e espaçamentos em bom tamanho, adornada em papel pólen (o amarelinho mais claro); e a capa é belíssima, estampando Felipe em um de seus tristes momentos.



Livro: Doce Ilusão
Autora: Priscila M. Mariano
Gênero: Drama/Romance
Editora: Drago Editorial
Ano: 2018
Páginas: 225

Abraços literários,
Simone Pesci
http://simonepesci.blogspot.com/

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